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Gilberto Gil, o Zen e a Academia

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imagem: Geovane Peixoto A eleição de Gilberto Gil para uma vaga de 'imortal' carrega consigo certa ponta de ironia. É o q tento hoje demonstrar. A Academia Brasileira de Letras, como se sabe, foi concebida nos mesmos moldes da Académie Française q existe desde os tempos de Luís XIII e q por sua vez evocava o espírito dos Jardins de Akademus em Atenas, onde Platão conviveu com seus discípulos, antes de Cristo. Foram os franceses q criaram a alegoria da 'cadeira vitalícia' q a Academia Brasileira adota, inspirados sem dúvida no modo de pensar a vida e a morte da Grécia antiga. A imortalidade, 'segundo o consenso grego', significava continuidade no tempo, vida perpétua e isenta de velhice tal como foi dada à natureza e aos deuses do Olimpo. Os seres humanos, a despeito de sua mortalidade individual, teriam capacidade de deixar atrás de si vestígios imorredouros ao produzir obras, realizar feitos e proferir palavras q 'mereceriam pertencer à eternidade'. Ess...

Origens do Choro: da polca ao maxixe

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Polka 1. "Se tivesse de apontar uma data para o início da história do Choro", afirma o músico e pesquisador Henrique Cazes, "não hesitaria em dar o mês de julho de 1845, quando a polca foi dançada pela primeira vez no Teatro São Pedro". Cazes¹ explica que o Choro foi primeiro uma "maneira de tocar". A própria palavra, choro, segundo ele, seria decorrência da maneira mais lenta e "exacerbadamente sentimental" (chorosa) com que os músicos da época "abrasileiravam" as danças europeias. Somente no século XX, "pelas mãos geniais de Pixinguinha, Choro passou a significar também um gênero musical de forma definida". "O processo de mistura de estilos e sotaques que levou ao nascimento do Choro ocorreu de forma similar em diferentes países. A partir dos mesmos elementos - danças europeias (principalmente a polca) somadas ao sotaque do colonizador e à influência negra, foram surgindo gêneros que seriam a base de uma música popular...